Como foi o IV Congresso Brasileiro de Publicidade

Nos dias 14, 15 e 16 de Julho aconteceu em São Paulo o IV Congresso Brasileiro de Publicidade. Só para se ter uma idéia da importância desse evento, não se tinha um congresso desses à exatos 30 anos (o último ocorreu em 1978). No IV congresso, estiveram presentes cercas de 1.500 profissionais da area de comunicação discutindo os rumos e futuro da Publicidade brasileira.

Assim como em 1978 (no III congresso), o que promoveu a reunião dos profissionais da área é a ameaça à cerca do futuro da publicidade no Brasil. Existem hoje, cerca de 200 projetos de lei no congresso nacional, que propõe novas restrições a publicidade no Brasil. Em outras palavras, os profissionais da área mais uma vez resolveram olhar para um mesmo ponto, se juntarem, e buscarem uma solução.

Só para constar, em 1978, a publicidade no Brasil foi seriamente ameaçada. Em plena ditadura militar, os genarais do poder tentaram de todas as formas “acabar” com a profissão temendo que a propaganda pudesse se obstruir ao poder da ditadura. Em resposta, os publicitários brasileiros se reuniram no II congresso, e elaboraram nada mais, nada menos que o código de ética da profissão, que mais tarde deu origem ao CONAR, que atualmente é o orgão que regulamenta a profissão no Brasil.

Não fugindo do III congresso, a pauta nesse IV congresso foi quase uma repetição. A possibilidade de uma auto-regulamentação por parte dos próprios publicitários foi o tópico preferido e mais aceito entre os presentes, uma espécie de “lema” a ser seguido. As razões são lógicas; se todos os 200 projetos forem aprovados, não há como existir a publicidade e propaganda no Brasil, em outras palavras, a profissão se tornaria inviável. É inpensável a cascata de acontecimentos que partiriam desse ponto; desde cursos de faculdade, a rios de dinheiro que rolam com a Publicidade no Brasil, isso tudo seria extinto.

Mas o IV congresso ficou literalmente marcado pela percepção dos atuais (e mais importantes) publicitários no Brasil, na importância de congressos como esse sem uma barreira quase inacreditável de 30 anos. Mais do que nunca, a necessário a força da união das princiáis agências e comissões de publicitários no Brasil, frente à esse problema “inédito” na publicidade brasileira.

“Para se ter uma idéia do absurdo, uma das iniciativas prevê a proibição da propaganda de chupetas e bicos de mamadeira - por sinal, um dos raros setores da indústria que nunca investiu um tostão em publicidade.”

A carta do jornalista Eduardo Corrêa, resume de forma gloriosa, o que foi o IV congresso Brasileiro de Publicidade:

Criativa, bonita, responsável, premiada, alto astral, inteligente, livre, moderna, inspiradora…
Foi assim, com liberdade para criar, que a publicidade brasileira se tornou conhecida no mundo inteiro.
Agora, querem cortar suas asas, como se ela fosse a culpada de tudo de ruim que acontece.
Há no momento mais de 200 propostas no Congresso Nascional e outras em estudos na Anvisa para restringir a propaganda de bebidas, remédios, alimentos, refrigerantes, automóveis, produtos para crianças, entre outras.
Tem sentido isso? A publicidade não causa obesidade, alcoolismo, acidentes domésticos ou de trânsito.
É a publicidade que viabiliza do ponto de vista financeiro a liberdade de imprensa e a difusão de culturas e entretenimento para toda a população.
É a publicidade que torna possível a existência de milhares de jornais, revistas, emissoras de rádio e TV, assim como de outras expressões de mídia.
As leis existentes já são suficientes para garantir ampla proteção ao consumidor e seria demais pedir a um anunciante que proponha o desestímulo ao consumo.
São legítimos e animadores os anseios da sociedade na formação de crianças e adolescentes, na difusão de hábitos saudáveis, no estímulo ao consumo responsável e à educação ambiental.
A publicidade brasileira não foge às suas responsabilidades.
Por isso, criou - e respeita - há trinta anos o Código Brasileiro de Auto-regulamentação Publicitária - primeira iniciativa a propor limites e impor deveres à atividade, muito antes que isso se tornasse uma preocupação da sociedade e dos deveres públicos.
Praticar e divulgar a auto-regulamentação publicitária são deveres de toda indústria da comunicação, em seu próprio benefício e no da sociedade como um todo.
Liberdade, deixe as asas abertas sobre nós.
São Paulo, 16 de julho de 2008
IV Congresso Brasileiro de Publicidade

É preciso mais do que nunca, cuidar da liberdade de expressão da Publicidade no Brasil. Como muito bem citado por Corrêa, a publicidade não causa acidentes, não deixa ninguém alcoolizado, muito menos mata alguém. É fácil, devido a falta de compromisso e de respeito com o povo do governo, atacar a publicidade como a grande vilã da história. Dos males é o menor. Me recuso a aceitar, que em um congresso onde 90% dos políticos são literalmente corruptos (não preciso nem citar nomes), esses mesmos tenham o poder de decisão de algo tão importante como a nossa profissão. Espero que haja pelo menos um bom senso nessa história toda.

Um Comentário para “Como foi o IV Congresso Brasileiro de Publicidade”

  1. anderson Comentou:

    mitomania


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