
Não é todo mundo que já ouviu falar do tal do Krautrock. Eu mesmo conheço há não muito tempo, mas fico cada vez mais encantado com o movimento. Como alguns já sabem, sou fã de Pink Floyd, e ouvir bandas semelhantes em níveis técnicos e criativos é extremamente satisfatório.
O Krautrock, pra quem não sabe, é um movimento de vanguarda alemã, surgido nos últimos anos da década de 60. Nesses conturbados anos o Movimento Estudantil da Alemanha contava com um grupo de jovens intelectuais, conhecedores de canções e culturas de outros continentes, e também eram engajados na política e demais questões sociais. Esse grupo de estudantes músicos intelectuais tocavam um som psicodélico, aliado ao jazz e improviso, com passagens pelo minimalismo e atonalismo e o marcante uso de dispositivos eletrônicos, manipulações hipnóticas através de instrumentos modernos e eletrônicos. Ruídos, dissonâncias, improvisações, repentinas mudanças de ritmo, inserções sonoras psicodélicas em obras musicais.
Kin Ping Meh
A minha mais recente descoberta dentro do Krautrock é a talentosa banda Kin Ping Meh, que embora tenha um nome de origem chinesa, também pertence ao brilhante movimento. É incrível quando um movimento artístico consegue se espalhar, tornar suas ideias comum entre uma geração. O Krautrock é uma espécie de período renascentista da música alemã. E o Kin Ping Meh não fica pra trás, inspirados por bandas como Deep Purple e Uriah Heep, em 1970 a banda se apresentou pela primeira vez ao vivo e em seguida já participaram de sete concursos musicais importantes. Descobertos pela gravadora Polydor, a banda trabalhou muito e acabou até trocando de músicos com certa frequência, mas mesmo assim vale a pena ir atrás de suas músicas e se deliciar com o rock progressivo de Kin Ping Meh.
Entre umas das minhas músicas preferidas da banda está Help. Sim, Help dos Beatles. E mesmo que você não acredite em mim e precise ouvir por conta própria, a versão do Kin Ping Meh deixou os meninos de Liverpool no chinelo. Eles transformaram Help, com uma linda e bem composta melodia. Solos de guitarra que deixariam George Harrison com as bochechas rosadas ao ouvir. Acredite. Pra ouvir é só clicar Kin Ping Meh – Help! Recomendo que acessem o ótimo Lágrima Psicodélica, e encontrem por lá os discos do Kin Ping Meh. Aproveite também pra ouvir o cover ou reinterpretação de Come Together dos Beatles e a épica Child In Time do Deep Purple. O riff da Come Together nessa versão me lembra de Young Lust, do belíssimo The Wall. Ouve aí!
Kin Ping Meh
Can
Embora muitas das bandas que nasceram nesse período tenham permanecido underground, algumas conseguiram atingir sucesso comercial. Entre os artistas chave do movimento temos Can, banda de rock experimental rotulada como o primeiro grupo de Krautrock. Nascida a partir de uma viagem aos Estados Unidos da América, Irmin Schimdt, conheceu The Velvet Underground e voltou “corrupto” pelas possibilidades do gênero rock. Criou então o Can, que caracterizou-se como avant-garde, música além do seu tempo, com elementos inovadores e a excelente mescla de diferentes subgêneros. Composições espontâneas e muito improviso são marcantes entre as obras da banda alemã. Rock experimental que merece o seu reconhecimento.
Can
Amon Düül II
Outro achado foi o Amon Düül II, também uma das bandas fundadoras do cenário Krautrock. Nascida em Munique, no ano de 1967 em uma comunidade artística e política alemã, o Amon Düül conta com músicas delirantes e psicodélicas. O nome vem do deus egípcio Amon e Düül é um obscuro personagem da ficção turca. Em seu primeiro e excêntrico disco “Phallus Dei” de 1969, já pode-se ver a originalidade da banda. Mas o segundo disco, “Yeti” de 1970 que registra o verdadeiro avanço do Amon, um seminal disco muito bem elaborado, estruturado e com improvisações de arrepiar. O grupo possui o status de cult devido a sua liberdade para improvisar assim como a receptiva formação, aceitando novos membros para a banda.
Amon Düül II
E aí? Que acharam do Krautrock? Se gostarem eu posso indicar outras ótimas bandas do movimento. Comentem.
Apaixonado por música e cinema, busca o lado artístico em tudo o que faz, vê e ouve.
Vinicius Alejandro já escreveu: 475 artigos.
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