Django Livre: O Novo Filme de Tarantino 

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14.6.2012 - 14:47

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django unchained tarantino

Um novo filme de Quentin Tarantino já tem data para estrear. No próximo natal. E a divulgação já começou pelo lançamento do trailer oficial. É notório que bons trailers não resultam necessariamente em bons filmes como também não é verdade que trailers fracos dão em filmes ruins. Mas a primeira impressão deixada pelo trailer de “Django Livre” não é das melhores. Pelo pouco que vi, me parece um desses filmes que o diretor faz para satisfazer a ansiedade do seu fã clube. Tarantino pregando sua Bíblia de cinéfilo pop para convertidos.

Arte é aquilo que nos dá prazer, diria Borges. Por prazer subentende-se a capacidade que um filme tem de nos surpreender, por exemplo. E pelo trailer de “Django Livre” não encontramos nada que nos tire da zona de conforto. Tudo o que esperamos de Tarantino está lá. Quando Tarantino apareceu com “Cães de Aluguel”, ele nos surpreendeu com sua linguagem ágil, seus diálogos espontâneos recheados de referências à cultura pop, sua violência estilizada… Quando fez “Jackie Brown”, nos espantou por refutar cenas de violência antes acostumado a expor, foi ainda contra nossas expectativas e entregou uma narrativa sóbria, menos febril. Foi discreto e maduro quando todos esperavam uma porralouquice nos moldes de “Pulp Fiction”.

Ver o trailer do novo Tarantino não é muito diferente de assistir uma criança isolada em seu chiqueirinho brincando com seus bonecos. Pelo trailer imagino Tarantino preso no seu mundinho, só que ao invés do Max Steel ele tem o Leonardo Di Caprio.Se o mundinho de Tarantino é seu universo de referências, a brincadeira da vez gira em torno do gênero faroeste. E é para o bangue-bangue que o artista estende o tapete vermelho para reverenciar.

Django Unchained

A homenagem começa no título, uma menção ao clássico italiano “Django”, eternizado por Franco Nero. Mas a homenagem de Tarantino sempre vem junto com uma nova roupagem, para dar um ar cool. E se você espera um faroeste com alguma sacada inteligente, o diretor não decepciona. Tarantino coloca uma música negra setentista para acompanhar uma história passada no período da escravidão. Nada como livrar-se das correntes ao som de um clássico da soul music, né?

Se no western, o negro sempre ficou de coadjuvante e os heróis eram os branquelos como John Wayne ou Gary Cooper, Tarantino dá uma de Abraham Lincoln e assina seu “Ato de Emancipação” no gênero ao fazer um negro de protagonista. Se o diretor quer fazer justiça, nenhum tema é mais apropriado do que a vingança, certo? Não seja por isso, está lá Jamie Foxx à procura dos homens que venderam sua mulher.

A trama parece familiar? Troque judeus por negros, o nazismo pela escravidão e temos uma variação do que já vimos em “Bastardos Inglórios”: Tarantino reescrevendo as histórias segundo seus próprios preceitos. Para tornar a referência da referência ainda mais óbvia, temos também o caçador de nazistas do filme anterior, Chistopher Waltz, agora no papel do caçador de recompensas. E pelo jeito o ator só trocou a farda, porque está o tempo todo com aquela expressão de desdém (seu olhar cínico e suas frases ácidas).

E Tarantino não é ele mesmo se não fornece prestígio à sua homenagem ao convidar uma lenda do universo citado para fazer uma participação especial no filme. Lembra de Sonny Chiba em “Kill Bill”, dando respeitabilidade ao filme? Pois é, Franco Nero aparece ao final do trailer. Isso mesmo. Django em pessoa aparece conversando com o Django Black. Nero pergunta a Foxx qual o seu nome. É uma entre muitas piscadela, dadas para os cinéfilos, sempre ávidos por reconhecer uma citação de Tarantino.

Para quem se contenta em ter o cinema como se ele não passasse de um jogo dos sete erros (“olha ali o Franco Nero“, “olha, uma música do Ennio Morricone” ou “esse diálogo é do filme X”), o trailer de “Django Livre” deve ter aguçado a ansiedade em ver o filme no final do ano. Para quem espera um pouco mais da arte, resta o receio de vir por aí mais um filme de um menino que parece feliz e conformado em não sair da bolha em que se aprisionou.

Espero do Tarantino que ele nos dê mais filmes do calibre de um “Jackie Brown” ou “À Prova de Morte” e menos filmes como “Kill Bill” ou “Bastardos Inglórios”, esses que parecem feitos sob encomenda para seu público cativo. Há quem se vende por dinheiro, há quem se faz refém do prestígio. Em nenhum desses casos, o solo se mostra fértil para cultivar boa arte.

Diego Costa Assunção

Formado em jornalismo. Já foi crítico de cinema. Colaborou para Cine Imperfeito, Revista Cinética, Movie e no blog Cinema de Boca em Boca, do crítico Inácio Araujo.

Diego Costa Assunção já escreveu: 18 artigos.

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