
Não é à toa que George Harrison ganhou um documentário com um dos diretores mais renomados: Martin Scorsese. Conhecido mundialmente por filmes como “Taxi Driver”, “Os Infiltrados”, “O Aviador” e “As invenções de Hugo Cabret”, o mais recente longa metragem, aclamado pelo Oscar. Scorsese desvenda aos olhos de uma legião de fãs e curiosos, toda a vida e carreira do mais “enigmático” Beatle: George Harrison. Lançado no ano passado em DVD e blu-ray, o documentário retrata o início da vida de George, seu dia-a-dia como Beatle, sua saga em busca do equilíbrio espiritual, suas aventuras musicais, lisérgicas e amorosas, até o dia de sua morte.
Com incansáveis 3 horas de filmagens de shows e do acervo pessoal de George, fotos tiradas em todas as fases de sua vida, entrevistas com amigos próximos e com ex-flertes, como a sua ex-namorada Pattie, suas parcerias musicais, seu filho Dhami e, é claro, sua esposa Olivia, que foi uma das fontes fundamentais para a elaboração desse trabalho, segundo o diretor.
O documentário “Living in the Material World: George Harrison” retrata todas as diferentes fases de personalidade do ex-Beatle. Os conflitos da banda, os vícios, crenças, família, amigos, interesses. Uma verdadeira biografia.
Harrison inicia sua vida pública a partir dos 17 anos no “casamento” com os Beatles, expressão que McCartney ressalta quando se refere aos primeiros anos da banda em que todos eram considerados um, se tratando de sintonia, gostos e referências musicais. Era a fase iêiêiê, todo o histerismo da fase “Beatlemania”, gritos agudos que abafavam seus acordes em cada show. No documentário, muita informação pouco difundida é revelada. Todo o início do sucesso estrondoso da banda e suas experiências, como a primeira vez em que John e George experimentaram o LSD. Eles estavam na casa de um dentista, e sem saberem de nada consumiram o ácido.
Encantados com a droga, acabaram mudando aspectos musicais e visuais, levando os Beatles para uma fase experimental, mais criativa e espiritual. George, no entanto, revela que após muito tempo no uso do ácido aprendeu que aquilo era apenas mais um vício, e não satisfeito vai ao descobrimento dele ao “outro mundo” em uma das suas primeiras viagens à Índia, quando se encanta com o som da cítara e da maneira compenetrada e absorta que Ravi Shankar a conduz. Essas experiências resultaram em um dos melhores álbuns, não apenas dos Beatles, mas de todo o rock mundial que foi “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”.
George Harrison

Embora uma vida recheada de fama e sucesso, Harrison passou por imensas dificuldades. Como sua decepção ao ver suas excelentes músicas sendo extirpadas aos poucos pelos Beatles, mesmo que às vezes se tornavam um single de sucesso, Lennon e McCartney ainda escreviam a maioria das músicas, fortes egos que levaram a ruptura da banda. Seus vícios com drogas. Relacionamentos conturbados como o de Pattie, que era esposa de George e acabou tendo um caso com Eric Clapton, amigo próximo de Harrison. Eric e Pattie inclusive prestam depoimento no documentário, explicando essa história toda. Pattie rendeu-se ao som de “Layla”, onde ela era a musa. E até mesmo o terrível ataque que George sofreu nos seus últimos anos de vida, onde já com o câncer diagnosticado, um invasor lhe esfaqueou oito vezes.
Em todo o desenvolver do documentário e da vida de George, é possível ver toda a sua evolução como músico e como pessoa. Como músico, ele fez questão de absorver todo o conhecimento com suas viagens, mesmo que interiores, e passar para o mundo, em versos românticos como “Something” ou na melodia triste de “All Things Must Pass”. Como pessoa, ele promoveu eventos beneficentes e também o amor, sempre tendo ao lado a presença de família e de seus amigos. Todos ressaltam a belíssima aura de Harrison. Sempre em busca de paz interior, George era um sujeito muito espiritual. Envolveu-se com Hare Krishna e pesquisou tantas outras crenças, buscou de diversas formas encontrar a verdade do universo. Seguiu gurus e aprendeu a meditar. George precisava disso como válvula de escape, era o que lhe mantinha no eixo, o que lhe ensinou a ser tolerante com amigos e família.
Também são reveladas outras paixões de George, como a corrida e o cinema. O famoso e genial Monty Python foi inclusive financiado por Harrison em um período difícil. Terry Gilliam precisava de 4 milhões para produzir A Vida de Brian, e George hipotecou sua casa, montou uma produtora e lançou o filme do amigo. E tantos outros projetos que o guitarrista realizou como o genial supergrupo Traveling Wilburys.
É visível o quão Harrison é adorado não apenas por seus fãs, mas por seus amigos, que no decorrer das mais de 3 horas, proporcionaram emocionantes depoimentos que nos mostram o quão importante foi essa lenda para a história do rock. Fique com as canções inesquecíveis de Sir Harrison e com o trailer do documentário.
Trailer
Canções
Imagens




Uma quase arquiteta e urbanista que divide sua paixão pela arquitetura com as artes plásticas, a fotografia, o design, o urbanismo e a história.
Talita Torcato já escreveu: 31 artigos.











































