Motos, Rock n’ Roll e Marketing!

Por Felipe Agnello - segunda-feira , 2 de novembro de 2009 | 23:30

Comportamento do Consumidor

Atualmente, resido na cidade de Maringá, no Paraná. A cidade é a terceira maior do estado, interior, com aproximadamente 350mil habitantes. É uma cidade ímpar no que diz respeito a qualidade de vida, tanto que já foi noticiada em revistas como a Veja sendo uma das melhores cidades para se viver do país. O público, também, é extremamente diferenciado. Em Maringá, segundo recentes pesquisas  temos um enorme contraste com relação ao resto do Brasil no que diz respeito as classes econômicas.

Aqui, cerca de 40% da população constitui as classes A e B. Empreendimentos que funcionam muito bem em outras cidades, podem não funcionar aqui, e empreendimentos que funcionam majestosamente bem aqui, geralmente não funcionam em outros locais. Isso mostra como a cidade mercadologicamente falando, diferencia-se e necessita de uma adequação a cultura local.

Dados do IPC de Maringá, que mostram claramente como as classes AB são os maiores consumidores de veículos.

Dados do IPC de Maringá, que mostram claramente como as classes AB são os maiores consumidoras de veículos.

No último sábado, dia 30 de Outubro, tive a oportunidade de participar de um evento interessante na cidade, por isso achei prudente contextualizar o leitor sobre o ambiente economico e cultural, para entendermos o comportamento do consumidor neste caso em específico.

Aqui, há uma concessionária de motos chamada Grupo Honda Freeway. A Freeway, como é conhecida, segundo minhas pesquisas é uma marca formada em 2001 que comercializa com exclusividade produtos e serviços Honda. Atualmente o grupo é formado por sete filiais no Paraná, sendo que em Maringá encontra-se a matriz do grupo.

Em Maringá, há um seleto e ao mesmo trampo grande grupo de motociclistas, e como já citado, grande parte desses constituem as classes A e B, que em suma, são consumidores que tem uma maior capacidade de compra, principalmente relacionado a veículos e motocicletas.

Culturalmente a motocicleta, principalmente as do estilo Harley Davidson e esportivas, são verdadeiros símbolos de rebeldia, liberdade, adoração ao asfalto e ao companheirismo de estrada, sem contar que esses sentimentos são aguçados ao som de muito Rock N’ Roll, e em muitos casos; bebidas, mulheres, etc. Criam-se verdadeiras legiões de adoradores de motos, que mesmo com a idade avançada ainda permanecem fiéis a seus gostos e suas ideologias.

Neste último dia 30 do qual comentei, a Freeway realizou um evento, ao lado de sua concessionária, voltado para esse público, o Freeway Rock Festival. Compareci ao local por volta das 15h. O calor era escaldante, cerca de 30º. Havia algumas tendas para abrigar o palco bem como as pessoas que estavam lá, porém, as motocicletas com certeza ganhavam a atenção de quem passava por ali. Eram inúmeras, de todas as marcas, tamanhos e cores. Como citei, a concessionária encontrava-se logo ao lado, suas vitrines eram aparentes.

Vitrines da Concessionária.

Vitrines da Concessionária.

Palco do evento ao fundo.

Palco do Freeway Rock Festival ao fundo.

Tenda Principal do evento.

Tenda Principal do evento.

O público presente era, em sua maioria, de idade mais avançada. Senhores de barbas brancas, coletes pretos, botas e aquela cara de motoqueiros malvados. Esse público, realmente encarna e cria verdadeiros personagens. O que chama a atenção, no entanto, é o poder aquisitivo desses. Pude reparar que grande parte desse público é proprietário de motos que tem valor mais alto em comparação com as motos de passeio que costumamos ver.

Motocicleta

Motocicletas

Nesse ponto, fica claro, a perfeita aproximação da marca Freeway com o público que ali estava. Enquanto as bandas tocavam muito Rock N’ Roll, ao fundo ouviamos barulhos de aceleradas das mais diferentes motos, mas que muitas vezes ultrapassavam o som das guitarras. O ambiente ali formado era totalmente propício as vontades e comportamentos do público, bem como os estimulava aos sentidos que aqui já citei, como liberdade, rebeldia, etc.

Através de um evento, cria-se a atmosfera perfeita de relação com a marca. Aproxima-se o público-alvo para a experimentação dos sentidos, impactando-o. Nesse momento ocorre a assimilação de bem estar ligado a marca, caracterizando uma verdadeira corrente de informações que começa a formar definições, pensamentos, críticas e avaliações da marca. É nesse ponto, que um bom evento pode cativar as pessoas, e principalmente os consumidores em potêncial ali presentes, o que pode gerar compras e consequentemente renda, sem contar o boca-a-boca que ainda é a melhor espécie de propaganda.

O consumidor de hoje, não se contenta em somente ter um contato visual com a marca, principalmente as que atribuem aspectos culturais, como as de motocicletas. Hoje, é necessário dar a possibilidade para que o consumidor experiêncie o que é a marca e seu valor, e nesse quesito, a Freeway está de parabéns.

É cabível de se imaginar um extenso planejamento envolvendo os dados psicográficos da região, bem como os costumes dos motoqueiros. Uma decisão acertada, que deve trazer muitos adeptos e possivelmente futuros consumidores.

Até a próxima pessoal.

Felipe Agnello
felipeagnello@publistorm.com

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1 comentário
  1. Samuel permalink

    Pô cara eh isso mesmo, eu não conhecia o festival, fui nele e sai de lá com uma grande simpatia pela marca, sem duvida esta é uma ótima forma de aproximar a marca do consumidor e consolida-la em sua mente.

    Pra Freeway este tipo de evento é só vantagens!

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