A Publicidade alternativa de São Paulo com a lei cidade limpa

Como a maioria sabe, há algum tempo uma lei chamada de “Cidade Limpa” vem sendo operada em São Paulo. Essa lei tende a combater a poluição visual excessiva na maior cidade do Brasil. Em outras palavras, grandes fachadas, outdoors e outras mídias externas foram simplesmente proibidas e retiradas.
Após 1 ano de lei “Cidade Limpa”, estudiosos do ramo, jutamente com profissionais publicitários já avaliam o seu impacto, que de certa forma, além de surpreendente, se mostra positivo como mostra a matéria do ig dessa Terça-Feira dia 1 de janeiro de 2008.
A publicidade na capital paulista foi “varrida para debaixo do tapete”. Em 2007, a cidade viveu um boom da mídia indoor. Publicitários e especialistas são unânimes em creditar este novo cenário às mudanças causadas pela Lei Cidade Limpa, cuja fiscalização completou um ano nesta terça-feira.
O publicitário Paulo Queiroz, vice-presidente executivo da DM9DDB, uma das agências mais importantes do país, diz que o mercado de mídia exterior praticamente acabou, mas as verbas migraram. “Buscamos novas alternativas indoor, em Metrô, ônibus, aeroportos, shoppings e em estádios de futebol”, conta.
A professora Ana Lúcia Fegulin, que ministra o curso de mídia digital da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo (ESPM), explica este movimento. “A lei provocou a implementação de mídias diferenciadas, principalmente indoor, em ponto de venda e as mídias digitais. Todas elas receberam investimento em um volume maior. Foi um boom muito grande”, diz. Ainda de acordo com Ana Lúcia, a mídia indoor demorou para chegar ao País, mas a tendência foi impulsionada pela lei Cidade Limpa”.
Só no Metrô de São Paulo, o faturamento de 2007 com publicidade deve crescer 30%. Um anúncio nas portas de um trem, por exemplo, rende à empresa R$ 15.142 por mês. Uma volta em qualquer estação da companhia revela a mudança. Propagandas de filmes, celulares, faculdades e chocolates preenchem o cenário onde 2,8 milhões de pessoas passam todos os dias.
A criatividade dos publicitários tem inovado cada vez mais. Sobrou até para as catracas do Metrô. Desde dezembro do ano passado, a agência Monster Mídia Brasil entrou no mercado com contrato de exclusividade para a exploração de anúncios em catracas das estações. A agência também vai controlar a publicidade nas catracas dos principais estádios do País. No exterior, a Monster Mídia é especialista neste tipo de anúncio.
A Monster Mídia fechou a primeira campanha no Metrô com a Nestlé. A multinacional alimentícia comprou espaço em todas as estações para anunciar três de suas marcas de chocolate. O diretor comercial da agência, Marcelo Rocha, diz que um dos motivos para a Monster Mídia se instalar em São Paulo foi a Lei Cidade Limpa.
“Um dos focos foi em função disso. Vimos que havia espaço para entrarmos no mercado com esta nova frente de negócios”. Rocha acredita que esta nova possibilidade de publicidade é uma é uma alternativa pra anunciantes. “É uma mídia limpa, nova, impactante e que não polui a cidade”, diz.
Outras formas de mídia indoor também começaram a aparecer na cidade. Alguns ônibus da frota municipal contam com displays digitais que, além de anúncio, trazem conteúdo próprio. O mesmo acontece em drogarias, livrarias e em alguns shoppings.
Para a professora da ESPM, o grande desafio desta nova mídia será trazer opções de qualidade para o público. “Essas novas plataformas precisam se aprimorar em termos de conteúdo. Quem anda de ônibus, assiste todo dia a estes programas. É preciso um conteúdo bom, do contrário não há interesse para o mercado anunciante”, analisa.
Fonte: IG